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Índice de confiança do consumidor volta a apresentar alta em abril, aponta FGV

Maior impacto foi sentido entre famílias com renda inferior a 2,1 mil reais mensais.

24/04/2026 às 21:10
Por: Redação

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), registrou elevação de 1 ponto percentual no mês de abril, em relação ao mês anterior, atingindo 89,1 pontos. Esse resultado iguala o patamar alcançado em dezembro do ano anterior, que até então representava o maior valor do período.

 

Na avaliação da média móvel trimestral, a pontuação aumentou 0,6 ponto, totalizando 87,8 pontos em abril. Todos esses dados foram divulgados na sexta-feira, 24, na cidade do Rio de Janeiro.

 

De acordo com a economista Anna Carolina Gouveia, integrante do Ibre, a percepção mais positiva em relação ao cenário atual foi determinante para o crescimento consecutivo da confiança do consumidor.

 

Entre os principais fatores que explicam o resultado do mês estão a inflação controlada e a manutenção de um mercado de trabalho aquecido.

 

“E como a gente vem tendo uma melhora mais focada nas faixas de renda mais baixas, eu acredito que talvez a questão da isenção do imposto de renda tenha ajudado a dar um alívio pontual no orçamento das famílias de menor renda. Então, isso pode estar influenciando os últimos meses da melhora da confiança”, disse a economista do Ibre à Agência Brasil.


 

Tanto o Índice de Situação Atual (ISA) quanto o Índice de Expectativas (IE), indicadores que compõem o ICC, apresentaram avanço no mês de abril.

 

  • O ISA, responsável por medir a avaliação do consumidor sobre a economia no momento presente, cresceu 2,1 pontos e alcançou 85,3 pontos. Esse movimento mostra uma visão mais favorável do consumidor em relação às condições atuais da economia.
  • Já o IE, que reflete as expectativas dos consumidores para o futuro, teve aumento de 0,2 ponto, situando-se em 92,3 pontos.

 

Segundo Anna Carolina, o avanço percebido em abril foi mais influenciado pela situação presente do que pelas expectativas futuras.

 

“No mês, o indicador que mais impulsionou a melhora do ICC foi o indicador de situação financeira atual das famílias, que subiu 3,9 pontos. Esse foi o principal motivador da alta da confiança em abril”, explicou a economista.


 

A análise por faixa de renda do ICC indica que a alta mais expressiva foi registrada entre consumidores com renda mensal de até dois mil e cem reais, que tiveram a segunda elevação consecutiva, dessa vez de 3,4 pontos. Em março, a alta havia sido de 5,4 pontos em relação ao mês anterior.

 

Cenário futuro e possíveis desafios

 

Anna Carolina Gouveia apontou que as projeções para os próximos meses permanecem incertas, especialmente diante dos efeitos de conflitos internacionais sobre a inflação brasileira.

 

“Há previsão de algum impacto de inflação no futuro, em função da guerra que a gente não sabe quanto tempo vai durar, como vai acontecer etc. E isso pode vir a ocasionar uma queda da confiança e acabar gerando aumento do pessimismo do consumidor, caso a inflação volte a subir”.


 

A economista destacou, além do comportamento da inflação, o problema do endividamento das famílias como uma das principais preocupações do consumidor no momento, ressaltando que o nível de endividamento segue elevado.

 

Houve, no entanto, uma leve melhora do indicador de endividamento em abril, que pode estar associada a iniciativas já anunciadas pelo governo com o intuito de apoiar o consumidor nessa questão. Ela afirmou que essas políticas também podem influenciar os próximos resultados do índice.

 

Na avaliação de Anna Carolina, a implementação de políticas que proporcionem alívio no orçamento das famílias tende a amenizar o pessimismo e pode contribuir para que consumidores não só regularizem suas contas, mas também retomem o consumo de forma habitual.

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