O imposto aplicado sobre compras internacionais de pequeno valor, conhecido popularmente como "taxa das blusinhas", é alvo de críticas, mas, conforme levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira, dia 22, resultou em impactos positivos para a economia nacional.
De acordo com a CNI, a medida freou o aumento das importações, assegurou mais de 100 mil postos de trabalho e estimulou a movimentação econômica interna. Além disso, a quantidade de produtos estrangeiros adquiridos pelos consumidores brasileiros diminuiu, ao mesmo tempo que a arrecadação de recursos federais por meio do imposto se elevou.
O estudo da entidade utilizou como referência o valor médio das remessas internacionais em 2025, realizando uma comparação entre o volume de importações projetado para o ano anterior e o volume efetivamente registrado após a vigência da tarifa.
Os principais indicadores apontados pela Confederação Nacional da Indústria incluem:
Segundo a CNI, a introdução do tributo reduziu significativamente a competição considerada desleal de produtos importados, sobretudo aqueles oriundos da China, ao favorecer o setor industrial brasileiro.
“O objetivo principal da ‘taxa das blusinhas’ não é tributar o consumidor, mas proteger a economia. Tornar a indústria brasileira competitiva é primordial para que nós possamos manter empregos e gerar renda", afirmou em nota Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI.
O superintendente ainda acrescentou que não há oposição à importação de produtos, ressaltando que essas operações são importantes para elevar a competitividade do mercado, desde que ocorram em condições equiparadas às dos produtos nacionais.
O novo mecanismo prevê a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais que não ultrapassem o valor de cinquenta dólares. Essa determinação passou a valer a partir de agosto de 2024, sendo implementada no âmbito do programa Remessa Conforme, o qual foi instituído para regulamentar o comércio eletrônico entre outros países e o Brasil.
Com a medida, o imposto incide no próprio momento da aquisição, o que, segundo a CNI, contribui para tornar o processo de fiscalização mais eficiente e reduz as possibilidades de fraude durante as operações comerciais.
A entrada em vigor da cobrança sobre remessas provocou uma diminuição no volume de encomendas internacionais. Em 2024, o país recebeu 179,1 milhões de remessas vindas do exterior, enquanto em 2025 esse número caiu para 159,6 milhões.
A indústria estimava que, caso a cobrança não fosse implementada, o montante de pacotes internacionais poderia ultrapassar 205 milhões, o que evidencia a eficácia da medida em conter compras de produtos vindos de fora do país.
Antes da implantação da nova regra, mercadorias de baixo valor frequentemente ingressavam no Brasil sem o pagamento integral dos tributos devidos, ao passo que produtos nacionais estavam sujeitos à tributação comum. Isso gerava, conforme a CNI, um desequilíbrio competitivo entre os fabricantes brasileiros e estrangeiros. Com a taxação, as condições de mercado se tornam mais homogêneas.
A CNI também aponta que a "taxa das blusinhas" ajudou a coibir práticas como subfaturamento de encomendas, divisão artificial de pedidos e uso indevido de sistemas de isenção, estratégias que, segundo a entidade, eram comuns antes da instituição do imposto.
O novo sistema exige que plataformas estrangeiras de vendas online informem e recolham os tributos no momento da transação, o que amplia o controle e reduz as irregularidades nas operações de comércio internacional.
Além da diminuição nas importações, a arrecadação federal proveniente de compras de pequeno valor passou de um bilhão e quatrocentos milhões de reais em 2024 para três bilhões e quinhentos milhões de reais em 2025.
Para a indústria nacional, conforme enfatizou a CNI, o efeito central do tributo consiste em proteger a produção local, o que permite a manutenção de empregos e o fortalecimento da geração de renda no Brasil.