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Empresa norte-americana adquire mineradora de terras raras no Brasil por US$ 2,8 bi

Serra Verde, única mina ativa de argilas iônicas do Brasil, projeta dobrar produção até 2030 após aquisição.

21/04/2026 às 13:37
Por: Redação

A companhia de mineração norte-americana USA Rare Earth (USAR) concluiu a compra da mineradora brasileira Serra Verde, especializada na extração de terras raras, em uma transação estimada em cerca de dois bilhões e oitocentos milhões de dólares. O anúncio oficial do negócio foi realizado pelas duas empresas na segunda-feira, dia 20.

 

A Serra Verde é responsável pela operação da mina de Pela Ema, situada em Minaçu, no estado de Goiás. Esta unidade é reconhecida como a única mina ativa de argilas iônicas no território brasileiro e começou suas atividades produtivas em 2024. A mineradora brasileira permanece como a única fornecedora, fora do continente asiático, dos quatro elementos de terras raras pesadas considerados críticos e valiosos: Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). Atualmente, a China responde por mais de noventa por cento de toda a extração mundial desses materiais.

 

Esses insumos são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes que têm aplicação em diversos setores industriais. Entre os usos destacam-se veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos de robótica, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, além de áreas estratégicas como semicondutores, defesa, energia nuclear e aeroespacial.

 

Segundo informações divulgadas pela empresa brasileira, a operação de compra possibilitará a formação do que será a maior companhia global do setor de terras raras. Atualmente, a produção da unidade localizada em Goiás encontra-se na primeira fase de desenvolvimento, considerada de menor escala, porém há a expectativa de que esta capacidade produtiva seja duplicada até o ano de 2030.

 

“As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e 'downstream' da USAR”, informou o grupo Serra Verde em comunicado ao mercado.


 

Contrato de fornecimento assegura produção por 15 anos

 

O acordo firmado entre as partes prevê o fornecimento de toda a produção da Fase I, ao longo de quinze anos, para uma Empresa de Propósito Específico (SPV). Essa SPV será financiada por diferentes agências governamentais dos Estados Unidos, além de investidores privados, e contará com preços mínimos garantidos para os elementos magnéticos das terras raras.

 

A nota divulgada pela USA Rare Earth ressalta que “o Acordo de Fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e apoiando seu desenvolvimento com sucesso”.

 

O comunicado conjunto ainda detalha que a união das operações permitirá criar uma empresa multinacional líder em todo o ciclo das terras raras, desde a mineração até a produção de ímãs. Serão oito unidades operacionais ativas no Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido, abrangendo as etapas de extração, processamento, separação, transformação em metal e manufatura de ímãs, contemplando tanto terras raras leves quanto pesadas.

 

“Esses marcos são um ponto positivo significativo para o Brasil e demonstram a capacidade do país de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras. As garantias de fornecimento, assim como a combinação com a USAR, validam a qualidade da Serra Verde: nossa operação única, nossos colaboradores e seu compromisso com práticas responsáveis”, declarou Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e diretor de operações do Grupo Serra Verde.


 

A notícia acerca da aquisição foi bem recebida pelo mercado financeiro. Por volta das 15h30 do dia do anúncio, os papéis da USA Rare Earth negociados na bolsa Nasdaq apresentavam valorização superior a oito por cento. O acordo também prevê a manutenção da equipe da Serra Verde no Brasil, com a incorporação de dois executivos da empresa à diretoria da USAR: Sir Mick Davis, que assume a presidência do conselho, e Thras Moraitis, nomeado diretor executivo do Grupo Serra Verde.

 

A pauta das terras raras tem sido objeto de pronunciamentos frequentes do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem enfatizado a dependência global das exportações chinesas desse setor e promovido debates e divergências em relação ao governo de Pequim.

 

* O título desta matéria foi atualizado às 18h21.

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