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Brasil e Alemanha fecham parceria para pesquisa em minerais críticos

Na Alemanha, Lula firma acordo para ampliar pesquisa, inovação e agregação de valor aos minerais estratégicos brasileiros.

21/04/2026 às 13:35
Por: Redação

Em Hannover, nesta segunda-feira (20), Brasil e Alemanha estabeleceram um compromisso conjunto para ampliar a colaboração científica e tecnológica envolvendo minerais críticos e estratégicos, considerados fundamentais para a transição energética global e para o avanço de tecnologias emergentes.

 

O acordo foi oficializado durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Alemanha, ocasião em que se reuniu com o chanceler federal, Friedrich Merz. O entendimento foi firmado entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil e o Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha, com o objetivo de aumentar as atividades coordenadas em pesquisa, desenvolvimento e inovação ao longo de toda a cadeia produtiva desses insumos estratégicos.

 

Os minerais críticos desempenham papel central em setores como tecnologia moderna, defesa e energia sustentável, sendo utilizados em produtos como baterias, painéis solares e turbinas. O abastecimento global dessas matérias-primas enfrenta desafios devido à concentração da produção em poucos países e ao risco de escassez.

 

O Brasil destaca-se mundialmente por suas grandes jazidas desses elementos. O presidente Lula ressaltou, após o encontro bilateral, que a intenção nacional é avançar na cadeia produtiva desses minerais, evitando a simples exportação de matérias-primas.

 

"Nossas reservas também nos tornam atores incontornáveis no debate sobre minerais críticos. Queremos atrair cadeias de processamento para o território brasileiro, sem fazer exportações excludentes. A colaboração em setores intensivos em tecnologia é uma prioridade para um país que não quer se limitar a ser um mero exportador de commodities", afirmou.


 

Pelo acordo, Brasil e Alemanha devem reforçar ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação ligadas à exploração, extração e processamento dos minerais críticos, incluindo elementos do grupo das terras raras e outros metais e minerais considerados estratégicos para o desenvolvimento tecnológico e industrial.

 

Os países reconhecem que a inovação, a pesquisa e o desenvolvimento são fundamentais para agregar valor às cadeias produtivas desses minerais, colaborando para o fortalecimento industrial interno, a soberania tecnológica e a sustentabilidade das atividades do setor.

 

Entre os compromissos firmados estão o apoio ao desenvolvimento de inovações, especialmente por pequenas e médias empresas dos dois países, o lançamento de projetos conjuntos de pesquisa sobre a gestão responsável dos minerais críticos e a promoção de intercâmbio entre cientistas e profissionais técnicos de pós-graduação. O acordo prevê, ainda em 2026, a criação de um novo programa bilateral para financiar diretamente iniciativas de instituições e empresas nacionais do Brasil e da Alemanha.

 

Parcerias adicionais abrangem clima, defesa e tecnologia

 

Além da cooperação no setor de minerais críticos, Brasil e Alemanha celebraram outros 14 atos conjuntos durante a viagem oficial do presidente Lula ao país europeu.

 

Esses acordos incluem uma cooperação para intensificar o combate a crimes ambientais, como desmatamento, tráfico ilegal de fauna e flora, pesca e mineração sem autorização. Também foi firmado um acordo voltado ao desenvolvimento conjunto em inteligência artificial, com ênfase em aplicações industriais e digitalização do setor público.

 

Outra iniciativa assinada envolve uma carta de intenções em que o governo alemão propõe ampliar o aporte financeiro ao Fundo de Combate às Mudanças Climáticas, sob coordenação do governo brasileiro e operacionalização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O objetivo é financiar projetos e estudos que promovam a redução das emissões de gases de efeito estufa e incentivem ações de adaptação às mudanças do clima no Brasil. O banco de desenvolvimento alemão, KfW, deve investir cerca de 500 milhões de euros neste fundo.

 

Além disso, foram firmados documentos de cooperação nos segmentos de defesa, pesquisa oceânica, apoio a micro e pequenas empresas, pesquisa aeroespacial, tecnologias quânticas e economia circular, entre outros temas.

 

Durante esta segunda visita oficial à Alemanha em seu atual mandato, o presidente Lula foi recebido com honras militares na cidade de Hannover para o encontro com Friedrich Merz. O Brasil figura entre os poucos países com acordos de parceria estratégica com a Alemanha, considerado o mais elevado grau de relacionamento diplomático.

 

"Essa proximidade é mais importante do que nunca nesses tempos de tantas mudanças na ordem mundial. Queremos fortalecer o benefício comum e expandir nossa rede. Queremos ser parceiros fortes e com ideias afins", declarou o chanceler alemão à imprensa.


 

Na ocasião, Lula também participou da abertura da Hannover Messe, considerada a maior feira industrial do mundo, que, neste ano, conferiu destaque ao Brasil. O presidente ainda esteve presente em um encontro com empresários brasileiros e alemães, onde defendeu as oportunidades no segmento de biocombustíveis.

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