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Setor produtivo pede queda mais acentuada da Selic após novo corte

Entidades industriais, comerciais e sindicais consideram corte de 0,25 ponto na Selic insuficiente diante do cenário econômico.

30/04/2026 às 16:21
Por: Redação

Após o anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom) de redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, entidades ligadas à indústria, comércio e sindicatos manifestaram insatisfação, considerando a medida insuficiente diante dos impactos sobre investimentos, consumo e renda.

 

A taxa Selic foi ajustada de 14,75% para 14,50% ao ano. Apesar do corte, representantes dessas organizações afirmaram que o patamar elevado dos juros segue pressionando a economia.

 

Indústria enxerga barreira para competitividade e investimentos

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) declarou que a redução anunciada foi considerada tímida, mantendo o custo do crédito em nível elevado. Segundo avaliação da entidade, isso prejudica tanto os investimentos quanto a competitividade das empresas do setor industrial.

 

“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.


 

Além disso, a CNI alertou sobre o aumento do endividamento de empresas e famílias. Conforme a confederação, o crescimento contínuo das dívidas compromete a saúde financeira da economia.

 

“O endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, completou Ricardo Alban.

 

Comércio aponta consequências negativas para empresas e consumidores

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) também avaliou que o Banco Central poderia ter optado por uma redução mais significativa na taxa de juros.

 

O economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz, declarou que já seria possível, desde a reunião anterior do Copom, ampliar o processo de afrouxamento monetário.

 

Segundo Queiroz, a Selic nos níveis atuais prejudica a atividade econômica, impactando diretamente o número de empresas em recuperação judicial, além de aumentar o endividamento das famílias e os custos relacionados ao serviço da dívida.

 

De acordo com a APAS, os juros altos acabam favorecendo o capital especulativo em detrimento do setor produtivo, o que reduz o estímulo para investimentos no comércio.

 

Sindicatos criticam ritmo lento dos cortes e impacto sobre a renda

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) expressou insatisfação com o ritmo das reduções na Selic, destacando que a política monetária afeta diretamente a renda da população.

 

“A redução de 0,25% é muito pouco. O nível de endividamento das famílias está enorme”, afirmou a presidenta da entidade, Juvandia Moreira.


 

Juvandia Moreira ressaltou que a taxa Selic é determinante para os custos do sistema financeiro, influenciando diretamente o valor cobrado pelos bancos no crédito. Ela observou que, mesmo com a queda recente, o crédito permanece caro para a população.

 

A Força Sindical também classificou o corte da Selic como insuficiente e destacou os reflexos negativos dessa decisão para a economia.

 

Em nota, a central sindical declarou que a redução foi tímida e manteve os juros em patamar alto. Segundo a Força Sindical, políticas de juros elevados restringem investimentos, desaceleram a produção e afetam a geração de emprego e renda.

 

A entidade ainda associou o contexto atual ao aumento do endividamento das famílias, apontando o custo elevado do crédito como fator diretamente responsável por essa situação.

 

Unidade nas críticas e demanda por cortes mais rápidos

Mesmo representando diferentes setores, as organizações consultadas concordaram que existe espaço para acelerar a redução da taxa básica de juros.

 

O diagnóstico comum entre representantes da indústria, do comércio e dos trabalhadores é de que o atual patamar da Selic ainda impõe obstáculos significativos ao crescimento econômico, à expansão do crédito e ao aumento do consumo no país.

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