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Dólar termina abril abaixo de cinco reais e atinge menor valor em dois anos

Real apresenta forte valorização em abril e atrai investidores estrangeiros para ativos brasileiros

01/05/2026 às 14:23
Por: Redação

O resultado do mercado financeiro brasileiro ao final de abril foi marcado por um forte otimismo. O ambiente externo, aliado à postura enfática do comunicado divulgado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), influenciou a significativa desvalorização do dólar, que atingiu a cotação mais baixa registrada nos últimos dois anos.

 

No último pregão de abril, investidores internacionais aumentaram a procura por ativos de maior risco, ação que beneficiou economias emergentes, entre elas o Brasil. Essa conjuntura propiciou maior fluxo de capital estrangeiro para o país, com aumento da venda de dólares e direcionamento de recursos para instrumentos como ações brasileiras.

 

Ao encerrar as negociações nesta quinta-feira, dia 30, o dólar comercial registrou valor de compra em quatro reais e noventa e cinco centavos, o que representa recuo de quase um centavo a menos, com variação negativa de noventa e nove centésimos por cento em relação ao fechamento anterior. O patamar alcançado é o mais baixo desde o dia sete de março de dois mil e vinte e quatro.

 

Em termos mensais, durante todo o mês de abril, a moeda norte-americana ficou desvalorizada em quatro inteiros e trinta e oito centésimos por cento perante o real. Desde o início do ano, acumula recuo de nove inteiros e setenta e sete centésimos por cento, colocando a moeda brasileira como uma das que mais se valorizaram globalmente nesse intervalo.

 

O contexto global também foi responsável por uma menor robustez do dólar frente a outras moedas, movimento acompanhado por diferentes mercados. Outro motivo relevante para esse cenário foi a busca de investidores por países que oferecem taxas de juros mais altas.

 

Apesar do Brasil ter iniciado recentemente um ciclo de redução na taxa básica de juros, o patamar ainda permanece elevado em comparação internacional. Na quarta-feira, dia vinte e nove, o Banco Central determinou novo corte na Selic, fixando-a agora em quatorze inteiros e cinquenta centésimos por cento ao ano. No entanto, o órgão sinalizou cautela com relação aos próximos ajustes, diante dos atuais riscos de inflação.

 

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve as taxas de juros no intervalo entre três inteiros e cinquenta centésimos por cento e três inteiros e setenta e cinco centésimos por cento. Este diferencial entre as taxas praticadas pelos dois países contribui para tornar o mercado brasileiro mais atraente a investidores que buscam maior retorno, favorecendo o real.

 

No mesmo movimento de desvalorização, o euro comercial também apresentou queda expressiva nesta quinta-feira, sendo negociado a cinco reais e oitenta e onze centésimos, correspondendo a recuo de quarenta e oito centésimos por cento. Este valor é o menor registrado desde vinte e quatro de junho de dois mil e vinte e quatro.

 

Mercado de ações mostra recuperação e estabilidade

O desempenho do mercado de ações acompanhou o otimismo do cenário cambial. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, somou cento e oitenta e sete mil, trezentos e dezoito pontos no fechamento da quinta-feira, com alta de um inteiro e trinta e nove centésimos por cento.

 

A valorização observada no índice decorreu tanto da intensificação do fluxo de capital estrangeiro quanto da revisão de expectativas em torno dos rumos da política monetária. A indicação de cortes mais lentos na Selic foi interpretada como sinal de maior estabilidade econômica, o que favoreceu a tomada de posições em ações.

 

Apesar da elevação registrada no dia, ao final de abril o Ibovespa fechou praticamente sem variação, após uma sucessão de seis quedas consecutivas que neutralizaram ganhos anteriores.

 

No ambiente interno, investidores monitoraram indicadores econômicos e decisões políticas, embora o impacto imediato dessas informações nos preços tenha sido limitado. Os dados mais recentes relativos ao mercado de trabalho demonstraram resiliência da economia do país, reforçando a percepção de que há menos espaço para reduções acentuadas de juros no futuro próximo.

 

Preços do petróleo continuam instáveis

As oscilações no preço do petróleo continuaram exercendo influência relevante sobre os mercados internacionais. A cotação da commodity apresentou alta volatilidade ao longo do dia, sobretudo em função das tensões geopolíticas localizadas no Oriente Médio.

 

No decorrer do pregão, as cotações do petróleo chegaram a superar cento e vinte dólares por barril, mas perderam intensidade nas horas finais de negociação.

 

O barril do tipo Brent, referência internacional utilizada pela Petrobras, encerrou o dia cotado a cento e dez dólares e quarenta centavos, praticamente estável em relação ao fechamento anterior. Já o barril WTI, negociado nos Estados Unidos, terminou valendo cento e cinco dólares e sete centavos, registrando queda de um inteiro e sessenta e nove centésimos por cento.

 

Essas variações refletem as incertezas sobre o fornecimento global do produto, especialmente diante dos episódios envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, somados às restrições atualmente em vigor no Estreito de Hormuz, considerado uma das principais rotas de escoamento do petróleo mundial. Mesmo com movimentos pontuais de queda, os preços permanecem em patamar elevado, o que mantém a pressão inflacionária internacional e impacta decisões sobre políticas de juros.

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