O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou nesta quinta-feira, dia 16, que intermediou um acordo de cessar-fogo válido por dez dias entre Israel e Líbano, com início previsto para a noite do mesmo dia.
A realização dessa trégua foi apontada como condição pelo Irã para a continuidade das negociações diplomáticas com os Estados Unidos.
O parlamentar do Hezbollah, Ibrahim al-Musawi, informou à imprensa francesa que o grupo cumprirá o acordo caso Israel interrompa seus ataques. Até o momento, o governo sediado em Tel Aviv não emitiu declaração pública sobre o assunto.
“Acabei de ter excelentes conversas com o altamente respeitado presidente Joseph Aoun, do Líbano, e com o primeiro-ministro Bibi [Benjamin] Netanyahu, de Israel. Esses dois líderes concordaram que, para alcançar a paz entre seus países, iniciarão formalmente um cessar-fogo de 10 dias às 17h [horário de Brasília]”, disse Trump em uma rede social.
Segundo Trump, ambos os lados desejam alcançar a paz e ele acredita que esse objetivo será atingido em breve.
Ainda que o anúncio de trégua envolva o governo libanês, o Hezbollah, que atua de forma independente como partido e milícia, não reconhece autoridade do governo central sobre suas ações. O grupo integra o Eixo da Resistência, composto por movimentos contrários às políticas dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio, dentre eles, o Irã.
Em comunicado oficial, o presidente libanês Joseph Aoun agradeceu a Trump pelos esforços destinados a viabilizar o cessar-fogo no país e buscar a paz duradoura na região, expressando desejo de que os esforços prossigam para alcançar um fim permanente dos conflitos.
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, também manifestou apoio à medida por meio de suas redes sociais.
“Acolho com satisfação o anúncio do cessar-fogo proclamado pelo presidente Trump, que constitui uma reivindicação libanesa central pela qual nos empenhamos desde o primeiro dia da guerra e que foi o nosso objetivo primordial no encontro de Washington na terça-feira”, afirmou Salam.
Durante esta semana, representantes de Israel e do Líbano estiveram reunidos em Washington pela primeira vez desde 1983, ano da primeira invasão israelense ao território libanês.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não divulgou posicionamento público acerca do acordo anunciado.
De acordo com publicação do jornal The Times of Israel, ministros do gabinete israelense foram pegos de surpresa pela notícia, e Netanyahu teria concordado com o cessar-fogo por solicitação direta de Trump. Por sua vez, integrantes da oposição israelense criticaram o acordo, classificando-o como uma trégua "imposta" a Israel.
Já o portal Ynet divulgou que, segundo um oficial das Forças Armadas de Israel, as tropas permaneceriam em território libanês, mesmo após o início da trégua.
A fase atual do conflito entre Israel e Líbano teve início em outubro de 2023, quando o Hezbollah lançou ataques contra o norte israelense em solidariedade à população palestina devido aos episódios de violência na Faixa de Gaza.
Em novembro de 2024, foi anunciado um acordo de cessar-fogo entre o Hezbollah e as autoridades israelenses. Entretanto, esse entendimento não foi respeitado por Israel, que continuou a realizar ações militares em território libanês.
Após o início dos ataques ao Irã em 28 de fevereiro, o Hezbollah voltou a atingir alvos em Israel como resposta às violações frequentes do cessar-fogo e em retaliação ao assassinato de Ali Khamenei, líder supremo iraniano.
Em 8 de abril, foi anunciada trégua na guerra envolvendo o Irã. Apesar disso, Israel manteve operações militares no Líbano, descumprindo o novo acordo, que havia sido articulado pelo Paquistão.
A entrada do Líbano em um cessar-fogo passou a ser condição do Irã para dar continuidade às rodadas de negociações com os Estados Unidos, cuja próxima etapa está programada para os próximos dias.
A origem das hostilidades entre Israel e o grupo Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi fundada como resposta à invasão e ocupação israelense no território libanês, realizada com o objetivo de perseguir grupos palestinos refugiados no país.
No ano 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar as forças israelenses do Líbano. Ao longo do tempo, o grupo tornou-se partido político, conquistando cadeiras no Parlamento libanês e participando dos governos.
O Líbano voltou a ser alvo de ataques de Israel nos anos de 2006, 2009 e 2011.