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Internações por síndrome respiratória grave aumentam entre bebês de até 2 anos

Vírus sincicial respiratório é principal agente de internação em crianças pequenas, aponta boletim da Fiocruz

16/04/2026 às 20:41
Por: Redação

Dados recentes revelam que as hospitalizações decorrentes de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) subiram expressivamente entre crianças menores de dois anos de idade em quatro das cinco regiões brasileiras: Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

 

Segundo o Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na quinta-feira, 16 de abril, o principal responsável por esse aumento entre os pequenos é o vírus sincicial respiratório (VSR), que tem elevado o número de casos graves na faixa etária analisada.

 

O boletim tem como base a Semana Epidemiológica 14, que corresponde ao período de 5 a 11 de abril. No documento, também foi apontado que a incidência de SRAG grave provocada pela covid-19 continua em queda no território nacional.

 

Tatiana Portella, pesquisadora associada ao Boletim InfoGripe e ao Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc/Fiocruz), esclareceu que o VSR é um dos principais agentes causadores de internações por SRAG em crianças pequenas e está entre as maiores causas de bronquiolite.

 

"Por isso, ela considera essencial que gestantes a partir da 28ª semana tomem a vacina contra o vírus para proteger seus bebês nos primeiros meses de vida."

 

Além disso, a pesquisadora ressaltou que, com o aumento das hospitalizações por influenza A em vários estados, é fundamental que todas as pessoas pertencentes aos grupos prioritários que ainda não receberam a vacinação anual busquem uma unidade de saúde para tomar a dose recomendada.

 

Panorama brasileiro aponta regiões em alerta

 

O levantamento nacional aponta que, no Brasil, as tendências de curto e longo prazo dos casos de SRAG apresentam estabilidade. Entretanto, 14 estados permanecem em níveis considerados de alerta, risco ou alto risco nas duas últimas semanas, registrando indicativos de crescimento na tendência das últimas seis semanas, até a Semana Epidemiológica 14.

 

Esses estados são: Acre, Pará e Tocantins (Norte); Maranhão, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Bahia (Nordeste); Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás (Centro-Oeste); e Minas Gerais e Rio de Janeiro (Sudeste).

 

O aumento dos casos relacionados ao vírus sincicial respiratório foi identificado em todo o Centro-Oeste e Sudeste, além dos estados do Acre, Pará, Tocantins e Roraima (Norte); Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia (Nordeste).

 

O boletim também registra elevação nos casos de influenza A em grande parte da região centro-sul, abrangendo Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No Nordeste, Paraíba, Alagoas e Sergipe seguem em aumento, assim como Amapá, Acre e Rondônia no Norte.

 

Por outro lado, Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco (Nordeste), Pará e Rio de Janeiro mantêm redução nas ocorrências da SRAG associadas à influenza A.

 

A maior parte do país apresenta interrupção ou queda na evolução dos casos de SRAG relacionados ao rinovírus, com exceção do Pará e Mato Grosso, onde os números ainda estão em crescimento.

 

Dentre as capitais brasileiras, 14 delas registram incidência de SRAG em patamares de alerta, risco ou alto risco, com crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 14. Essas capitais são: Rio Branco, Belém, Palmas, Cuiabá, Campo Grande, São Luís, Teresina, João Pessoa, Recife, Aracaju, Maceió, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro.

 

Mortalidade e incidência em diferentes faixas etárias

 

Nesse período de oito semanas epidemiológicas, a incidência e a mortalidade médias semanais da SRAG seguem um padrão já observado: os extremos das faixas etárias concentram o maior impacto.

 

Crianças pequenas apresentam as taxas mais elevadas de incidência, principalmente relacionadas ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é mais acentuada entre idosos, com predomínio da influenza A e da covid-19 como principais causas.

 

No caso da SRAG causada por influenza A, a incidência atinge, de forma mais significativa, crianças de até quatro anos e idosos, enquanto o índice de mortalidade se mostra mais alto entre pessoas com 65 anos ou mais.

 

No ano epidemiológico de 2026, foram notificados 37.244 casos de SRAG. Desses, 15.816 (42,5%) apresentaram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, enquanto 14.723 (39,5%) tiveram resultado negativo e pelo menos 3.990 (10,7%) ainda aguardam resultado.

 

Analisando os casos positivos deste ano, as proporções correspondem a 41,1% para rinovírus, 25,5% para influenza A, 17,4% para VSR, 10,2% para Sars-CoV-2 (covid-19) e 1,7% para influenza B.

 

Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, entre os casos positivos, 33% foram identificados como rinovírus, 32,2% como influenza A, 26,3% como VSR, 5,5% como Sars-CoV-2 (covid-19) e 2,4% como influenza B.

 

Considerando os óbitos no mesmo período, a presença desses agentes entre os casos positivos foi de 40,8% para influenza A, 26,9% para rinovírus, 23,3% para Sars-CoV-2 (covid-19), 5,3% para VSR e 4,1% para influenza B.

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