Um adolescente foi sentenciado à internação pela Justiça do Rio de Janeiro devido à sua participação em um estupro coletivo, ocorrido em um apartamento na região de Copacabana no mês de março. A decisão judicial, proferida pela juíza Vanessa Cavalieri da Vara da Infância e Juventude da Capital, enfatizou a seriedade do ato e a violência empregada, fundamentando-se na constatação de que o jovem, que mantinha um relacionamento afetivo com a vítima de 17 anos, organizou uma emboscada contra ela.
A condenação impôs ao adolescente uma medida de internação, com restrição total a atividades externas por um período inicial de seis meses. A magistrada justificou a decisão, visando à ressocialização do jovem e à preservação da ordem pública.
que a gravidade da infração e a falha da rede familiar em prover limites adequados justificam a medida extrema, visando à ressocialização do jovem e a preservação da ordem pública
Adicionalmente, outras quatro pessoas, homens adultos, estão sob investigação por seu envolvimento no mesmo delito.
A valorização do testemunho da vítima constituiu um elemento fundamental na sentença. A juíza destacou que, em casos de crimes de natureza sexual, que frequentemente ocorrem em segredo e sem a presença de terceiros, o relato da pessoa agredida adquire uma importância e confiabilidade singulares. Neste processo, o depoimento da jovem foi avaliado como consistente, minucioso e foi corroborado por resultados de exames de corpo de delito, que confirmaram as agressões físicas, incluindo socos e chutes desferidos pelos agressores, entre eles o adolescente condenado.
A magistrada fundamentou sua decisão com a aplicação do Protocolo para Julgamento sob Perspectiva de Gênero, desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Este protocolo orienta os juízes a examinar casos de violência contra mulheres, reconhecendo a desigualdade histórica e as dinâmicas de poder intrínsecas. A sentença sublinhou que a priorização do depoimento feminino não desequilibra o processo judicial, mas sim assegura a igualdade material, considerando que vítimas de violência sexual frequentemente enfrentam obstáculos na demonstração da ausência de consentimento.
Visando preservar o bem-estar da jovem e mitigar o trauma de reviver o ocorrido em múltiplos depoimentos judiciais, o sistema Judiciário implementou uma medida específica. Um único depoimento especial foi conduzido, resultado de uma colaboração entre a Vara da Infância e Juventude e a Vara Criminal, onde o processo contra os adultos envolvidos está em andamento. Essa iniciativa assegurou que a vítima narrasse os fatos apenas uma vez para ambos os procedimentos, prevenindo a revitimização e garantindo o direito de crianças e adolescentes vítimas de violência a serem ouvidas de maneira protetiva.