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Irã e Hezbollah veem união do Eixo como chave para trégua no Líbano

Trégua entre Israel e Líbano ocorre em meio a reivindicações de ambos os lados e pressão internacional.

17/04/2026 às 17:07
Por: Redação

Autoridades do Irã e representantes do Hezbollah afirmam que o cessar-fogo estabelecido no Líbano foi alcançado graças à articulação e à atuação conjunta dos integrantes do chamado Eixo da Resistência, grupo formado por organizações e governos que se colocam em oposição à atuação de Israel e dos Estados Unidos na região do Oriente Médio.

 

Ao mesmo tempo, o presidente americano Donald Trump buscou atribuir à Casa Branca a responsabilidade pelo acordo que interrompeu temporariamente o conflito. Entre as condições apresentadas pelo governo do Irã para avançar nas tratativas com Washington, estava justamente a interrupção da ofensiva militar no Líbano. Após o anúncio do fim dos confrontos armados, o Irã comunicou a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego de embarcações comerciais.

 

O Hezbollah comunicou que, ao longo de 45 dias de combate, realizou 2.184 operações militares contra as forças armadas israelenses, o que representa uma média de 49 ações por dia.

 

Os ataques do grupo tiveram como alvo tanto ocupantes israelenses em território libanês quanto instalações militares, quartéis e bases localizadas dentro do Estado de Israel e em áreas palestinas sob ocupação, alcançando até 160 quilômetros da fronteira.

 

“Nossa mão permanecerá no gatilho em antecipação a qualquer violação ou traição pelo inimigo, enfatizando a adesão à opção de confronto e continuar a defender o país, e permanecer no pacto até o último suspiro”, diz comunicado divulgado pela TV Al-Manar, ligada ao Hezbollah.


 

Para o presidente do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, responsável por liderar as negociações do Irã com os Estados Unidos, o resultado do cessar-fogo está diretamente ligado à resistência do Hezbollah e à coesão do Eixo da Resistência.

 

“A Resistência e o Irã são uma só entidade, seja na guerra ou no cessar-fogo. Cabe à América recuar do erro de ‘Israel em primeiro lugar’. O cessar-fogo não foi senão resultado da resistência do Hezbollah e da união do Eixo da Resistência; e lidaremos com este cessar-fogo com cautela, e permaneceremos juntos até a verificação completa da vitória”, afirmou em uma rede social.


 

Na avaliação do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ismail Baghaei, o desfecho foi resultado direto da atuação diplomática de Teerã.

 

“Desde o início das negociações com várias partes regionais e internacionais, incluindo as negociações em Islamabad, a República Islâmica do Irã tem consistentemente enfatizado a necessidade imperativa de um cessar-fogo simultâneo em toda a região, inclusive no Líbano”, declarou Baghaei.


 

Reação de Israel à trégua

O governo israelense, liderado por Benjamin Netanyahu, vinha anunciando, ao longo do conflito, a intenção de avançar com suas tropas até o Rio Litani, que fica a 30 quilômetros da fronteira entre Israel e Líbano. Um dia antes do anúncio do cessar-fogo, Netanyahu afirmou ter instruído as forças armadas a prosseguir com as operações para capturar a cidade de Bent Jbel.

 

De acordo com jornal local, ministros que compõem o gabinete israelense receberam a notícia do cessar-fogo com surpresa. Netanyahu teria comunicado ter aceitado a trégua a pedido do presidente Donald Trump. Oponentes do primeiro-ministro criticaram o que classificaram como um cessar-fogo "imposto" a Israel.

 

Outro veículo de imprensa israelense informou que, apesar do acordo em vigor, um oficial militar declarou que as tropas permaneceriam em solo libanês.

 

Origens e desdobramentos do confronto

O episódio mais recente da crise envolvendo Israel e Líbano remonta a outubro de 2023, com o início dos ataques do Hezbollah ao norte israelense em solidariedade à população palestina, após a intensificação dos ataques na Faixa de Gaza.

 

Em novembro de 2024, foi articulado um acordo de cessar-fogo entre o grupo xiita e o governo de Tel Aviv. Entretanto, segundo relatos, Israel não teria cumprido os termos e continuou efetuando ações militares em território libanês.

 

A partir de 28 de fevereiro, com o início de ofensivas contra o Irã, o Hezbollah voltou a realizar ataques contra Israel, motivado tanto por violações do acordo de trégua quanto pelo assassinato do líder Supremo do Irã, Ali Khamenei.

 

No dia 8 de abril, foi anunciada a suspensão das hostilidades relacionadas à guerra com o Irã. Contudo, Israel manteve ações militares no Líbano, descumprindo um novo acordo intermediado pelo Paquistão.

 

O Irã vinha condicionando a continuidade das negociações com os Estados Unidos à inclusão do Líbano no acordo de cessar-fogo, e uma segunda etapa de conversas entre as partes estava prevista para os próximos dias.

 

Contexto histórico do embate

O histórico de conflitos entre Israel e o Hezbollah começa nos anos 1980, quando o grupo armado de orientação xiita foi criado em resposta à invasão e ocupação israelense no território libanês, cujo objetivo era capturar militantes palestinos refugiados no Líbano.

 

No ano 2000, o Hezbollah conseguiu retirar as tropas israelenses do país. Ao longo do tempo, o movimento transformou-se também em partido político, passando a ocupar cadeiras no Parlamento e a integrar governos sucessivos.

 

O Líbano foi novamente alvo de ações militares por parte de Israel nos anos de 2006, 2009 e 2011.

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