LogoJoão Pessoa Notícias

MIS inaugura exposição inédita com mais de 300 itens de Janis Joplin em SP

Mostra no MIS reúne acervo inédito, experiências sensoriais e detalhes da trajetória da artista

17/04/2026 às 14:53
Por: Redação

Em agosto de 1969, Dorothy, mãe de Janis Joplin, escreveu uma carta para um destinatário não identificado, relatando o quanto achava peculiar ver sua filha ser chamada de “rainha” ou “deusa”. Ao concluir a correspondência, ela manifestou preocupação pelo fato de Janis não escrever mais cartas, limitando-se a contatos telefônicos esporádicos.

 

Naquele mesmo mês, a filha de Dorothy estava dedicada a compromissos profissionais, como a participação em Woodstock, festival que se tornou um dos mais emblemáticos da história da música. Nessa ocasião, Janis já era reconhecida mundialmente como uma das maiores vozes do rock, algo que, para sua mãe, ainda soava surpreendente.

 

Quase 57 anos após aquela performance marcante, Janis Joplin será homenageada em uma grande exposição inédita no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo.

 

O evento, que tem início nesta sexta-feira (17), reúne mais de 300 itens relacionados à artista, incluindo figurinos, acessórios, manuscritos, os icônicos óculos, uma estola de penas e diversos objetos originais pertencentes a Janis, peças que estavam sob a guarda de sua família e nunca foram exibidas ao público.

 

Chris Flannery, responsável por trazer o acervo para a mostra no MIS, relatou que teve a oportunidade de montar a exposição após conhecer o administrador do espólio de Janis Joplin. Conforme explicou, três anos antes, esse administrador havia se impressionado com uma exposição dedicada a B.B. King organizada por Flannery no mesmo museu e, posteriormente, lhe enviou uma lista detalhada de artefatos e numerosas fotografias do acervo da cantora.

 

“Esta será a maior exposição de Janis já realizada em qualquer lugar do mundo.”


 

Entre os objetos exibidos destacam-se roupas e desenhos feitos por Janis. De acordo com Flannery, os visitantes poderão conhecer facetas artísticas pouco conhecidas da cantora por meio de seus escritos e ilustrações.

 

Os ingressos para a exposição têm valor de 30 reais (meia-entrada) e 60 reais (inteira). Às terças-feiras, exceto em feriados, a visitação é gratuita.

 

Ambiente imersivo conduz a experiência sensorial sobre a artista

O MIS realiza, pela terceira vez, uma exposição dedicada a uma importante cantora de rock. Antes de Janis Joplin, o museu já havia promovido eventos voltados a Rita Lee e Tina Turner, ressaltando a relevância dessas artistas para a música mundial.

 

Segundo André Sturm, diretor-geral do MIS e também curador da mostra, a exposição explora, de forma cenográfica, o universo da década de 60 e início dos anos 70, período marcado pela contracultura, rock e transformações sociais. Sturm afirma que Janis Joplin representa esse contexto histórico.

 

Os dez ambientes expositivos, localizados no primeiro andar do museu, foram concebidos para proporcionar ao público uma vivência imersiva, com cenários coloridos e psicodélicos. Cada sala aborda sentimentos ou palavras que remetem à personalidade e à trajetória de Janis.

 

“Quando ela canta, ela se entrega completamente, e ela teve uma vida muito intensa em todos os sentidos. Se o que mais marca a Janis é a emoção, vou fazer uma exposição e dividi-la pelas emoções muito presentes na vida dela.”


 

Uma das salas, chamada Amor Brasil, rememora o período em que Janis esteve no país, durante o carnaval do Rio de Janeiro, em 1970. O espaço reúne fotos, vídeos e até um trecho de carta que ela escreveu para a mãe enquanto estava no Brasil, local onde, segundo o diretor do museu, a cantora demonstrou grande alegria.

 

Detalhes biográficos e carreira musical

Janis Joplin nasceu em Port Arthur, no Texas, em 1943. Durante a adolescência, a cantora se inspirou em nomes como Leadbelly, Bessie Smith e Big Mama Thornton, e essas referências foram essenciais para sua escolha de seguir a carreira musical.

 

Na juventude, Janis explorou o universo do folk com amigos e também se dedicou à pintura. Ela chegou a estudar em faculdades nas cidades de Beaumont e Austin, mas se sentiu mais conectada com as influências do blues e a poesia beat do que com a vida acadêmica.

 

Após abandonar a faculdade, mudou-se em 1963 para São Francisco, estabelecendo-se no bairro Haight-Ashbury, região conhecida pelo consumo de drogas.

 

Nesse período, estabeleceu contato com o guitarrista Jorma Kaukonen, que futuramente integraria a banda Jefferson Airplane. Juntos, ao lado de Margareta, esposa de Kaukonen, registraram várias canções, sendo Margareta responsável pela máquina de escrever sorteando sons inusitados nas gravações.

 

Janis retornou ao Texas pouco tempo depois, matriculando-se no curso de sociologia na Universidade Lamar. Porém, sua ligação com a Califórnia prevaleceu, e em 1966 ela iniciou a carreira musical que duraria pouco mais de quatro anos.

 

O início da trajetória ocorreu quando sua voz, marcada pelo timbre rasgado e melancólico, chamou a atenção do grupo Big Brother and the Holding Company, expoente do rock psicodélico de São Francisco.

 

Com essa banda, Janis gravou dois álbuns considerados clássicos: Big Brother and the Holding Company (1967) e Cheap Thrills (1968).

 

Posteriormente, ela deixou o grupo e produziu dois discos solo: I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama (1969) e Pearl (1971), este último lançado após sua morte.

 

No dia 4 de outubro de 1970, Janis Joplin faleceu, aos 27 anos, em decorrência de overdose de heroína, pouco tempo depois do falecimento de outro ícone musical, Jimi Hendrix.

© Copyright 2025 - João Pessoa Notícias - Todos os direitos reservados