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Douglas Ruas assume presidência da Assembleia Legislativa do Rio

Deputado do PL foi eleito presidente da Alerj com 44 votos favoráveis e uma abstenção, em sessão marcada por ausência de partidos de oposição.

17/04/2026 às 21:35
Por: Redação

Douglas Ruas, deputado estadual pelo Partido Liberal, foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) na manhã desta sexta-feira, 17 de abril. A votação ocorreu durante sessão em que houve tentativas de obstrução. Estiveram presentes 45 parlamentares, sendo que 44 votaram a favor da eleição de Ruas e um deputado se absteve.

 

Os partidos de oposição PSD, MDB, Podemos, PR, PSB, Cidadania, PCdoB e PSOL decidiram não comparecer à sessão, justificando discordância em relação à realização da votação em formato aberto. Segundo esses partidos, a votação deveria ser secreta para evitar possíveis pressões e retaliações políticas aos parlamentares.

 

No total, 25 deputados estaduais não participaram do pleito. O deputado Jari Oliveira, do PSB, foi o responsável pela única abstenção registrada, participando remotamente apenas para votar em Dr Deodalto como 2º secretário da mesa diretora, cargo para o qual Deodalto foi eleito com 45 votos.

 

A tentativa dos partidos de oposição de obter votação secreta foi frustrada após decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que rejeitou pedido do PDT na quinta-feira, 16 de abril, autorizando a realização da votação de forma aberta.

 

“Votaram 45 deputados, 44 votos sim e uma abstenção. Para a presidência, o meu irmão Douglas Ruas está eleito e empossado como presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Peço que o mesmo venha assumir a presidência”, declarou o deputado Guilherme Delaroli, do PL.


 

Guilherme Delaroli ocupava a presidência interina da Alerj desde o afastamento do então presidente Rodrigo Bacellar, envolvido em investigação que apura vazamento de informações sigilosas da Operação Unha e Carne, operação que investiga o ex-deputado estadual TH Joias por supostas ligações com a facção Comando Vermelho.

 

O deputado Rodrigo Bacellar, afastado da presidência por decisão do Supremo Tribunal Federal, foi preso novamente pela Polícia Federal em 27 de março de 2026. Anteriormente, em dezembro de 2025, já havia sido detido, mas foi liberado por decisão do plenário da Assembleia Legislativa.

 

O Supremo Tribunal Federal formou maioria para manter a cassação do ex-deputado Rodrigo Bacellar, afastando-o definitivamente da presidência da Assembleia.

 

Nova gestão sob comando de Douglas Ruas

 

Após ser empossado, Douglas Ruas utilizou seu discurso para direcionar críticas aos partidos PSD e PDT, que tentaram impedir a votação aberta. Para Ruas, o processo de escolha com voto aberto é mais democrático.

 

O novo presidente destacou que o estado do Rio de Janeiro vivia recentemente uma situação inédita de interinidade nos três poderes estaduais. Ele mencionou que o governo estadual estava sob comando interino, assim como o Judiciário, com o presidente do Tribunal de Justiça exercendo temporariamente o cargo de governador e a desembargadora Suely Lopes Magalhães ocupando a presidência interina do tribunal. No Legislativo, até a eleição, também havia interinidade.

 

“No governo do estado do Rio de Janeiro, também interinidade no Judiciário, tendo em vista que o presidente daquele poder [desembargador Ricardo Couto] está exercendo cargo de governador, e lá está a desembargadora [Suely Lopes Magalhães] de forma interina conduzindo aquele poder e também tínhamos uma interinidade no poder legislativo”, afirmou Ruas.


 

Douglas Ruas reforçou que pretende conduzir a presidência representando todos os 70 deputados estaduais da Alerj. Ele agradeceu individualmente aos parlamentares que confiaram a ele a missão de liderar a Casa e ressaltou que o trabalho deve ser coletivo, sustentado pelo diálogo e busca de soluções para a população do Rio de Janeiro.

 

Ruas já havia sido eleito para o cargo anteriormente, em uma votação realizada de forma célere pela Assembleia. No entanto, a presidente em exercício do Tribunal de Justiça anulou a eleição anterior, argumentando que o processo eleitoral só poderia ter início após a retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), consequência da cassação do mandato de Bacellar.

 

O novo comando da Alerj marca o fim de um período de indefinição na liderança do Legislativo fluminense, após meses de disputas judiciais, decisões do STF e intervenções do Judiciário estadual.

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