No primeiro trimestre de 2026, o desemprego no Brasil alcançou 6,1%, o menor valor já observado nesse período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), em 2012. Apesar de apresentar elevação em relação ao último trimestre de 2025, quando ficou em 5,1%, a taxa segue abaixo dos 7% registrados nos três primeiros meses do ano anterior.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sediado no Rio de Janeiro, divulgou que o número absoluto de pessoas sem emprego foi de 6,6 milhões no trimestre inicial de 2026. Esse contingente é 19,6% maior comparado ao trimestre anterior, representando um acréscimo de 1,1 milhão de pessoas, mas ainda é 13% menor do que o registrado no mesmo período de 2025.
Em relação ao total de pessoas trabalhando, o país encerrou o primeiro trimestre deste ano com 102 milhões de ocupados. Esse volume corresponde a 1 milhão de indivíduos a menos do que o apurado no final de 2025 e 1,5 milhão acima do verificado nos primeiros três meses do ano precedente, em uma análise anual.
Segundo a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, os dados refletem efeitos comuns ao início do ano, com retração em setores como comércio, educação e saúde municipal, áreas que tradicionalmente encerram contratos temporários nesse período.
“A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporário nas atividades de educação e saúde no setor público municipal.”
Dos dez grupos de atividades analisados pelo IBGE, nenhum registrou aumento no número de ocupados em relação ao trimestre anterior. Houve diminuição na quantidade de trabalhadores no comércio, com redução de 1,5% (menos 287 mil pessoas), em administração pública, onde a queda foi de 2,3% (menos 439 mil postos), e em serviços domésticos, que tiveram retração de 2,6% (148 mil ocupações a menos).
Ainda que o desemprego tenha aumentado em relação ao quarto trimestre de 2025, a informalidade atingiu 37,3% da população com ocupação no final de março de 2026, o equivalente a 38,1 milhões de pessoas que não possuem acesso a direitos trabalhistas. No último trimestre do ano anterior, essa taxa era de 37,6%, enquanto no primeiro trimestre de 2025 foi de 38%.
O número de empregados com carteira assinada no setor privado atingiu 39,2 milhões, mantendo-se estável no trimestre, porém com aumento de 1,3% (504 mil pessoas) se comparado ao mesmo período do ano anterior. Já o total de trabalhadores sem carteira assinada nesse segmento caiu 2,1% (menos 285 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior, ficando em 13,3 milhões, e apresentou estabilidade na comparação anual.
Entre os trabalhadores por conta própria, o total permaneceu em 26 milhões, sem alterações significativas em relação ao trimestre anterior, mas apresentando variação positiva de 2,4% (607 mil pessoas a mais) na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.
A pesquisa do IBGE considera todas as formas de ocupação para pessoas a partir de 14 anos de idade, incluindo trabalhadores com e sem carteira assinada, temporários e autônomos. Para ser classificada como desocupada, a pessoa precisa ter procurado emprego nos 30 dias anteriores à pesquisa. O levantamento abrange 211 mil domicílios em todas as unidades da federação, incluindo o Distrito Federal.
A Pnad Contínua é divulgada um dia após o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que monitora apenas trabalhadores com carteira assinada. Segundo o Caged, o saldo de empregos formais em março foi positivo, com a criação de 228 mil vagas. No acumulado de 12 meses, houve um acréscimo de 1,2 milhão de postos de trabalho com carteira assinada em todo o país.
O IBGE ressalta que, embora o desemprego tenha ficado em 5,8% no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026, não é recomendada a comparação entre meses consecutivos devido à sobreposição dos dados coletados. Por esse motivo, a comparação preferencial é sempre com o último trimestre fechado do ano anterior.